Saturday, August 06, 2005

Ritmo.

Fora do padrão a que me habituei nos já quase distantes dias de férias mas ainda inclinado ao registro escrito do que venho fazendo por último. Nada excessivo, claro, a não ser pela carga de trabalho e o excesso de filmes, sempre os filmes em abundância, só o bastante pra manter os neurônios em atividade.
Vi FILME FALADO hoje e confesso ter ficado embevecido e chocado, sentimentos misturados, mesmo, e difíceis de evitar.
A propósito disso, tenho pensado mais em poesia com o retorno da atividade secular e no que os vários períodos literários acrescentaram aos anteriores.
Pra quem ignora, sou defensor de que as hqs têm mais similaridades com a poesia do que com a prosa. Qualquer indivíduo com um mínimo de discernimento sabe disso, mas como sou pago pra ensinar, insisto no velho padre nosso ao vigário.
Uma das coisas que mais me pegam quando ensino poesia é o estereótipo médio que se tem dela, de que poesia é sinonímia de sentimentalismo quando, na verdade, é uma plataforma perfeita pra qualquer discurso. Evidente que o discurso amoroso é o que mais sobressai na produção poética, só que dizer tratar-se da única possibilidade pra essa forma de expressão seria ignorar que qualquer conteúdo cabe nela.
Me ocorreu agora outra possibilidade de comparação entre poesia e hq: o amor está pra poesia como os super-heróis estão pra hq.
Enfim, isso aqui é a respeito de linguagens, certo? E suas semelhanças.
Na verdade, quando escrevi o título do post não estava pensando em absolutamente nada. A essa altura você já notou, entre outras coisas, que voltei a usar advérbios no discurso. Explico: é tarde, estou cansado e o registro é mais um diário do que qualquer coisa. Pra lembrar do que estava pensando na ocasião anterior 'a presente que estará, no futuro, diante de mim.
A questão do ritmo é uma das similaridades de que falei.
Poesia vive de ritmo, assim como os bons quadrinhos. Texto demais atulha a hq. Há exemplos de montão disso, basta que você vá a sua coleção particular e apanhe um exemplar qualquer de quadrinhos super-heroísticos mais 'a mão. O Arqueiro Verde de Kevin Smith é um exemplo recente capaz de afundar o fluxo da história por causa do excesso supramencionado.
Muita gente que faz hq está envolvida em um ou outro grau com música. É difícil encontrar quadrinhista que não toque um instrumento ou que dirija. Não sei qual é o fenômeno que ocorre, masestá aí. Alguma área do cérebro deve deixar de funcionar como compensação de outra que funciona em excesso.
Poesia também envolve pausas, calhas, se preferir e, poesia concreta em particular se assemelha mais ainda com quadrinhos por fazer uso dos espaços em branco da página e da formatação do texto pra comunicar idéias.
Ia falar um pouco dos conteúdos e das possibilidades discursivas mas cansei.
Se tudo der certo, amanhã continuo meu esforço pra colocar as novas idéias a respeito da mídia em perspectiva de modo a permitir assimilação mais tranqüila, sem a necessidade de alteradores de consciência químicos.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home