Friday, September 09, 2005

Volta pro presente.

Sobre o SNIFFER, da entrada anterior, recebi o rough do Léo ontem e ahcei que seria interessante fazer um post que fosse diferente, tivesse algo a ser admirado, mesmo que fosse minha cara melhorada pelo desenho dele. Gostaria de colocar mais material análogo por aqui, mas tá em falta.
Agora, vai lendo:
CÁPSULAS
“DÉDALO”
A.Moraes

Painel 1;
Neste aqui mostramos Dédalo do lado de fora de uma janela, beijando-a com os lábios formando mesmo aquele ícone de “beijo” no vidro, embaçando-o. Enquanto uma loura de cabelinho channel, estilosa, o olha de dentro e deixa um copo plástico escapar por entre seus dedos. Sei que não faço isso faz tempo, mas fica aqui a sugestão de mostrar a cena de um ponto atrás da loura, que não pode estar muito longe da janela. Não importa que alguns detalhes se percam, só a diversão conta.

DÉDALO: Mmm!!!

LOURA: Jesus!

RECORDATÓRIO: Era o ano de nosso senhor de 1989 e eu queria fazer algo diferente.

Painel 2;
De um ângulo ascendente, mostramos Dédalo afastando o rosto do vidro enquanto olha prum ponto pouco acima de sua cabeça.

VOZ (OP): Cara, você é esquisito!

DÉDALO: Por quê?

RECORDATÓRIO: O primeiro passo pra se fazer algo diferente, então, era olhar o que já tinha sido feito antes e tentar não repetir.

Painel 3;
Mostramos agora de um ângulo descendente a real: ele está em pé, flutuando no ar no exterior dos últimos andares de um prédio tão alto que a rua parece só uma linha preta lá embaixo.

VOZ (OP): Bom, gostar de assustar as pessoas não é normal, pra começar.

DÉDALO: Ah, é isso? Eu meio que conheço ela, então...

RECORDATÓRIO: Quando criei Dédalo, infelizmente, ainda não conhecia tudo, inclusive Gerard Snoble, do Eisner.

Painel 4;
Dédalo dá uns passos atrás no ar e encara o dono da voz que está um pouco mais no alto que ele.

VOZ (OP): E isso te dá o direito de vir aqui e beijar a janela da coitada?

DÉDALO: Acho que sim. O que tem de errado nisso?

RECORDATÓRIO: Era, é evidente, um tempo em que tudo era mais simples.

Painel 5;
Ele vira de costas pro prédio de onde o dono da voz fala.

VOZ (OP): Tirando, tipo, tudo?

VOZ (OP): Sabe o que ela tá pensando? Que ficou louca! Cê acha legal abalar as verdades das pessoas?

DÉDALO: Ah, não enche!

Painel 6;

Ele olha sobre o ombro e assume uma postura de quem vai sair voando, como um super-herói qualquer.

VOZ (OP): É fácil sair sem responder perguntas difíceis, não?

DÉDALO: Olha, sei lá qual é a tua, mas tô indo.

RECORDATÓRIO: A princípio ia me dedicar a uma releitura do mito do cientista... uma parábola sobre o medo da tecnologia que...

Painel 7;
Dédalo se afasta voando.

VOZ (OP): Inconseqüente! Volta aqui! Agora!

DÉDALO: Não...

RECORDATÓRIO: ...terminou se tornando tema recorrente em minhas histórias.

Painel 8;
Mais longe agora.

DÉDALO: ...enche...

RECORDATÓRIO: Ironicamente, nunca usei essa abordagem por achar que ninguém a levaria a sério.

Painel 9;
Dentro do prédio, em pé sobre o batente da janela do andar imediatamente superior, em cima da que Dédalo beijou, vemos um pato selvagem, preto com colarinho branco. Lembra do Patolino? Mas este aqui é mais realista, não uma animação, mas o mais aproximado de um pato de verdade que for possível criar com papel e tinta.

DÉDALO (OP): ...o SACO!

PATO: É por causa de gente como você que vivemos como vivemos!

RECORDATÓRIO: Afinal, quem daria credibilidade a um homem voador?

FIM.

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